Bitcoin

23 Jan 2018

 

No final de 2017, as criptomoedas, em especial o Bitcoin, foram objeto de muitas notícias e artigos de opinião decorrente das valorizações verificadas nesse ano.

 

Um dos artigos de opinião lidos sobre este assunto foi “O Bitcoin, o paradoxo do oxigénio e a estupidez humana”, de João Pires da Cruz, publicado no Observador no dia 13 de dezembro de 2017.

 

Neste post é partilhado esse artigo e, nos pontos seguintes, são apresentados alguns aspetos que surgiram a José A. Andrade Gomes e a José Mário Gomes na sequência da leitura que fizeram individualmente deste artigo.

 

 

José A. Andrade Gomes

 

O artigo de João Pires da Cruz, PhD em Física, publicado no Observador de 13.12.2017, que partilhamos no nosso blog é uma reflexão muito interessante sobre o Bitcoin, a criptomoeda que nessa data era comprada e vendida a 17 mil dólares.

 

No artigo o autor chama-nos à atenção para que “as coisas não têm valor intrínseco”, referindo que “o dinheiro, como coisa que é, também não vale nada, representa apenas o trabalho que comprou no passado “.

 

Para um avaliador, que quando tem que determinar o valor de um bem o faz com base no “método do custo”, no “método do rendimento” e no “método de mercado”; a valorização atual do Bitcoin parece ser um caso em que se está a utilizar exclusivamente o terceiro dos métodos referidos, não fazendo nenhuma abordagem a partir de qualquer dos outros dois métodos.

 

As normas europeias estabelecem como boa prática profissional a utilização de pelo menos dois dos métodos anteriormente referidos quando temos que determinar o valor de um ativo. A adoção deste procedimento na avaliação de um Bitcoin, obrigar-nos-ia a refletir sobre os aspetos referidos no artigo que partilhamos, e a procurarmos identificar outros fundamentais do valor para além do “valor de mercado”.

 

 

José Mário Gomes

 

O dinheiro, assuma ele a forma de bitcoins ou moeda fiduciária, é um instrumento em que uma das funções é a promoção de trocas eficientes de bens e serviços.

 

A moeda fiduciária, por si só, não tem valor, sendo o seu valor conferido pelo reconhecimento da sociedade enquanto instrumento válido de aferição a cada momento do valor dos ativos (trabalho acumulado sobre a forma de capital) e do valor do trabalho produzido a cada instante.

 

A tradução em moeda fiduciária do valor dos ativos, do trabalho e dos recursos será, então, a avaliação que a globalidade da sociedade faz do seu benefício económico em comparação com a massa monetária em circulação em cada momento, sendo que esta pode ser ajustada através de políticas definidas por instituições que, na generalidade dos casos, são democraticamente mandatadas para o efeito.

 

Os bitcoins, por outro lado, são uma moeda regulada por um algoritmo (que não se sabe que o definiu) e que, tal como as moedas do passado, necessita da alocação de recursos na sua produção.

 

Assim, o bitcoin assemelha-se a uma moeda arcaica em que parte do seu valor incorpora os custos suportados na sua produção, não sendo regulada por nenhuma entidade que, em determinados momentos, possa definir políticas que permitam a redistribuição de poderes entre os detentores da moeda e os fazem a gestão dos recursos que esta pode comprar.

 

Na minha opinião, a utilização das criptomoedas tal como hoje são definidas, e a sua crescente valorização em relação às moedas tradicionais, vem, em parte, da desconfiança em relação às instituições que regulam as políticas monetárias. Por outro lado, a eliminação de parte dos custos de posse e transmissão da moeda, podem também justificar a adoção das criptomoedas. Não me parece, no entanto, que a utilização deste tipo moedas venha a ser generalizada

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